quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"As Sete Lágrimas... de Pai Preto"

Olá Seres Iluminados,

Observando os livros de Umbanda, folheando um "Umbanda de Todos Nós" me deparei com um conto lindo de um preto velho.

Boa Leitura!




Foi uma noite estranha aquela noite queda; estranhas vibrações afins penetravam meu Ser Mental e me faziam ansiado por algo, que a pouco se fazia definir...

Era um quê desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunhão com minha alma e externava a sensação de um silencioso pranto...

Quem do mundo Astral emocionava assim um pobre "eu"? Não soube até adormecer e "sonhar".

Assim, vi meu "duplo" transportar-se, atraído por cânticos que faltavam de Aruanda, Estrela Guia e Zambi; eram as vozes da Senhora da Luz Velada, dessa Umbanda de todos nós que chamavam seus filhos de fé...

E fui visitando cabanas e tendas, onde multidões desfilavam, mas, surpreso ficava, com aquela "visão" que em cada um eu "via"; invariável mente, num canto, pitando, um triste Pai Preto chorava.

De seus "olhos" molhados, esquisitas lágrimas desciam-lha pelas faces e não sei porque, contei-as:
foram sete. Na incontida vontade de saber aproximei-me e interroguei-o: fala Pai Preto, diz a teu filho, por que externas assim uma tão visível dor?

E ele, suave, respondeu: estas vendo essa multidão que entra e sai? As lágrimas contadas distribuídas estão a cada uma delas.

A primeira eu a dei a esses indiferentes que aqui vêm em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando daquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceder...

Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um "milagre" que os façam "alcançar" aquilo que seus próprios merecimentos negam.

E mais outra foi para esses que creem, porém, numa crença cega, escrava de seus interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de "casos" nascentes uns após outros...

E a outra mais que distribuí aos maus, àqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejam sempre prejudicar a um semelhante - eles pensam que nós, os guias, somos veículos de suas mazelas, paixões, e temos obrigação de fazer o que pedem... pobres almas, que das brumas ainda não saíram...

Assim, vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e calculistas - não creem, nem descreem: sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de qualquer forma. Cuida-se deles, não conhecem a palavra gratidão, negarão amanhã até que conheceram uma casa da Umbanda...

Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos lábios, são fáceis, muito fáceis; mas se olhares bem seus semblantes, verás escrito em letras claras: creio na tua Umbanda, nos teus caboclos e no teu zambi, mas somente se vencerem o "meu caso" ou me curarem "disso ou daquilo"...

A sexta lágrima eu a dei aos fúteis que andam de tenda em tenda, não acreditam em nada, buscam apenas aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o que eles buscam.

E a sétima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada. Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Pretos Velhos; fiz doação dessa, aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e todos possam vê-los como realmente são... 

"Cegos, guias de cegos" andam se exibindo com a banda, tal e qual mariposas entorno da luz; essa mesma luz que eles não conseguem ver, porque só visam à exteriorização de seus próprios egos... 

Olhai-os bem, vede como suas fisionomias são turvas e desconfiadas; Observai-os quando falam doutrinando; Suas vozes são ocas, dizem tudo de cor e salteado, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos guias e protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não fazem, aferrados ao conforto da matéria e gula do vil metal. Eles não tem convicção. 

Assim, filho meu, foi por esses todos que viste cair, uma a uma A Sete Lágrimas do Pai Preto! Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a dizer, Pai Preto? E daquela forma velha, vi um véu caindo e num clarão intenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez... 

"Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que esquecidos pensam que estão... eles formam a maior dessas multidões...".

São os humildes, os simples; estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança pela razão... São os seus Filhos de Fé. 

São também os "aparelhos", trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas chamam-se dom e fé, e cujos salários de cada noite... são pagos quase sempre com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra - A Ingratidão...



Beijos de Luz! ☾☀

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